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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Especial Piauí 191 anos 1-4 Campo Maior

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A UM REVOLUCIONÁRIO EUROPEU VENCIDO

Ainda mais coragem, meu irmão ou irmã. Não vaciles — a Liberdade tem de ser servida, haja o que houver; Que importa que ela falhe uma vez, ou duas vezes, ou muitas vezes, Ou seja ferida pela indiferença ou ingratidão do povo ou pela infidelidade, Ou pelo aparato das mordaças do poder, soldados, canhões, códigos penais. Aquilo em que nós cremos aguarda latente em todos os continentes, A ninguém convida, não promete nada, repousa em calma e claridade, é teimoso e tranquilo, não conhece o desânimo, Esperando com paciência, esperando a sua hora. (Não é isto um canto de lealdade apenas, Mas também cântico de insurreição, Porque eu sou o poeta jurado do rebelde intrépido de toda a parte, E quem vem comigo deixa para trás a paz e a rotina, E arrisca-se a perder a vida a cada instante.) A luta ruge em sobressalto e estrondo, avanço e retirada, O inimigo triunfa ou julga que triunfa, A prisão, o garrote, o cadafalso, as balas e as cadeias cumprem o seu dever, Os heróis célebres ou obscuros passam a outras esferas, Os grandes oradores e escritores são exilados, morrem de saudade em distantes terras. A Causa dorme, as mais fortes vozes afogam-se no seu próprio sangue, Os jovens baixam os olhos para o chão, quando se encontram, Mas, apesar disto, a Liberdade não se foi embora, nem o inimigo tomou inteira posse. A Liberdade, ao ir-se embora, não é o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro a partir, Espera por todos os outros, é a última. Quando já não houver memória dos heróis e dos mártires, Quando as vidas e as almas de todos os homens e mulheres tiverem sido expulsas dessa parte da terra. Só então a Liberdade ou a ideia de Liberdade será expulsa dessa parte da terra, E o inimigo toma inteira posse. Coragem, pois, revolucionário europeu! Mesmo que tudo cesse, não cesses tu. Não sei a que tu vens (não sei a que venho ou qualquer coisa vem). Mas é o que procurarei cuidadosamente até em ser vencido, Até na derrota e pobreza e fraude e prisão — porque também são grandes. Julgávamos grande a vitória? E é — mas agora parece-me, quando não há remédio, que a derrota é grande, E que a morte e a amargura também são grandes.

sábado, 29 de março de 2014

Petralha ou Tucanalha?

Não sou o autor das postagens defendendo Lula. Apenas repasso, como outros repassam as postagens defendendo os bandidos FHC, Cerra e companhia. Tenho o direito de fazê-lo e vou fazê-lo. Dizem por aí que só existem dois tipos de petista, o ladrão e o burro. Sou petista, com muito orgulho. Não sou ladrão. Continuo sem patrimônio material como há 20 anos, apesar das oportunidades legais e lícitas de ter. Então, talvez eu seja burro. Não quero me jactar, pois sou cristão e acredito na Bíblia que diz que não devemos nos jactar de nada. Mas conheço poucas pessoas que conheçam tanto a história mundial e do Brasil como eu. Conheço muito bem o governo de FHC e dos seus antecessores. Li quase todas as obras de FHC. Li tudo que pude sobre história (geral e do Brasil), filosofia, política, ciência política e da minha área, que é o direito. Talvez isso de nada tenha me adiantado e eu continuo burro; não tenho capacidade de discernimento, de compreender o Brasil, de entender o meandres políticos, de exercer uma análise crítica sobre os governos brasileiros, desde o Brasil colônia até o governo Dilma. Talvez o meu entendimento esteja obnubilado e eu esteja cego. Talvez eu não consiga entender bem o (des)governo FHC e não possa compará-lo com o governo Lula. Talvez o meu entendimento sobre o que fez FHC no seu governo esteja ofuscado pela burrice e, quando eu procuro na minha mente uma grande realização de FHC, do seu governo mesmo, eu não encontre porque sou ignorante, semianalfabeto, apedeuta. Dizem que a grande realização de FHC foi a estabilidade da moeda e a aniquilação da inflação (que, segundo o meu entendimento obnubilado, salvo engano, se deu no governo Itamar Franco - dirão: FHC era o Ministro da Fazenda; respondo que a equipe já estava montada quando ele chegou e o plano real já estava delineado; mas talvez eu esteja errado, porque sou burro) e eu me pergunto a que custo. Sim, porque eu me lembro do arrocho salarial do funcionalismo público, dos juros lá em cima, do aumento da carga tributária (é, dizem que o PT aumentou a carga tributária, mas, segundo os meus alfarrábios, a carga tributária antes de FHC era de cerca de 27,5% do PIB e ele passou a Lula em cerca de 35%), do sucateamento da infra-estrutura e da máquina pública, da doação do patrimônio público. Lembro-me da luta do senador petista Paulo Paim para que o salário mínimo no Brasil fosse de U$ 100,00 (cem dólares) e lembro do Pedro Malan, com aquela cara de tartaruga morta dizendo que era impossível (hoje, no governo petista de Dilma, o salário mínimo equivale a U$ 300,00 - trezentos dólares). Dizem por aí, quando querem loar FHC, que o bolsa família foi implementado por ele. é que tenho pouca inteligência e minha memória é uma merda. Mas, se não me engano, aquilo sim pode-se chamar de bolsa esmola (é do que chamam quando querem escrachar o Lula), um vergonhoso programa que dava R$ 15,00 (quinze reais) às famílias. Lula pegou o bolsa gás/escola e transformou no bolsa família, que foi reconhecido como o maior e mais bem sucedido programa de distribuição de renda do mundo. Não critico FHC como intelectual. Critico-o como político e governante, pois, com a carga intelectual e moral que possuía, tinha a obrigação de fazer mil vezes mais do que o apedeuta Lula. Quando vejo a direita execrar Lula, é com ele que me identifico, porque, assim como ele, sou analfabeto e burro. FHC teve a chance de ser o melhor presidente da República que o Brasil já teve, uma vez que era reconhecidamente a maior voz da esquerda latino-americana, um grande intelectual, um sociólogo lido no mundo todo, enfim, um filósofo no sentido lato da palavra. No entanto, como estadista, em termos de reconhecimento internacional, não chega nem aos pés do Lula. Lula é reconhecido internacionalmente pela esquerda e pela direita como o maior estadista brasileiro da atualidade. Detesto o culto à personalidade, e, em momento algum fecho os olhos para os erros de Lula, que foram e são muitos, como os de qualquer outro político brasileiro. Mas querem desmerecer o governo Lula baseados em apenas dois argumentos: o "mensalão" e seu suposto "analfabetismo". Falemos de corrupção. É que minha memória não me deixa dormir. Eu não consigo. Passo noites seguidas sem conseguir dormir porque não consigo desligar o cérebro. Talvez porque seja burro. Mas vamos falar de corrupção. Eu me lembro de cada escândalo do (des)governo tucanalha de FHC; lembro da compra de deputados para a aprovação da emenda da reeleição, para o fator previdenciário, do enriquecimento de seu filho, sua filha e seu genro (aquele de nome impronunciável), do escândalo das ambulâncias, do dinheiro público dado aos bancos privados (como o do Salvatori Cacciola e do Daniel Dantas), lembro do Serjão, do Mendonça de Melo, etc, etc, etc. Sem falar no mensalão, que teve a sua origem lá nas plagas tucanalhas com o próprio FHC e o Azeredo (brincadeira dizer que o nascedouro do valerioduto é no quintal tucanalha...), bem como do mensalão do principal aliado dos tucanalhas, os DEM, esse filmado, passado e repassado, mas sem julgamento até hoje. Então, vamos falar de corrupção; vamos falar de apoio de cretinos. Posso estar enganado, pois sou burro, mas Sarney, Renan, Jader Barbalho, e outros crápulas fizeram mesmo oposição ao (des)governo tucanalha? Tenho muitas coisas pra falar, como diria Nefi no livro dos Mórmons, mas vou ficando por aqui. Quem é contra o Lula, aponta as safadezas do Lula; eu aponto as qualidades, não porque não lhe reconheço os defeitos, mas porque sou contra a direita golpista; uns apontam as qualidades de FHC; eu aponto as safadezas, não porque não lhe reconheça as qualidades, mas porque parece que todo mundo esqueceu – para a glória da direita golpista -, sua peripécias ilegais. É uma opção nossa. A diferença, talvez, é que eu o faço sem base intelectual alguma, sem conhecimento de causa, sem conhecer a história, sem saber quem é um e quem é o outro. A diferença é que eu sou burro. Mas sigo petista.

Delegado de polícia protesta contra soltura de menores apreendidos com armas e droga

A questão da maioridade (ou menoridade) penal não é uma questão social. É uma questão de segurança pública. Pode até ser uma questão de segurança pública com viés social, mas é eminentemente de segurança pública. A coisa está tão mal que a simples redução da maioridade de 18 para 16 anos não resolve mais. Tem que acabar com o limite de idade e analisar-se caso a caso. Assassinos, estupradores, traficantes, assaltantes, torturadores e toda laia de assassinos menores de 18 anos têm que responder pelos seus crimes. E a pena tem mesmo que ter caráter primordialmente punitivo. Chega dessa mentira, dessa hipocrisia de dizer que é ressocializante. Isso nunca vai existir, mormente em um país onde nem mesmo a educação oficial, formal, prepara o cidadão para a vida. Essa questão tem que ser desideologizada: não é um problema de esquerda ou de direita. E o pessoal de esquerda tem que parar de ser hipócrita: se apoiam Raul Castro, em Cuba, que mata cidadãos somente porque discordam da política de Estado; se apoiam o ridículo governo da Coreia do Norte, que fuzila cidadãos tão somente cruzam a fronteira com a Coréia do Sul; se apoiam o governo comunista da China, que massacra cidadãos em praça pública tão somente porque eles clamam por liberdade; se apoiam o governo despótico do Iram, que massacra cidadãos simplesmente porque protestam contra ele; então está na hora de apoiarem leis que punam esses marginais que podem tirar a nossa vida a qualquer momento. Relatei aqui que entrei em um ônibus urbano no qual estava um indivíduo, aparentemente menor, que se gabou, ao telefone, de estar com uma arma. E eu ali, do lado, completamente à mercê da boa vontade dele, sem poder sequer revidar, porque o Estado coloca uma pá de obstáculos para que eu carregue, legalmente, uma arma. Temos bons policiais. Temos ótimos policiais. A maioria absoluta. Mas estão numa luta inglória contra esses marginais. A sociedade já demonstrou, já se manifestou por várias formas, que não aguenta mais essa situação, mais de 80% da população brasileira é a favor da redução da maioridade penal. Eu sou advogado, criminalista inclusive, e sou a favor da redução da menoridade. Aliás era. A minha monografia foi sobre isso, defendendo a redução. Mas hoje vejo que a simples redução, como disse acima, não resolve mais o problema. Essa questão deve ser enfrentada com outro olhar. Não só maiores de 16 anos devem ser punidos. Até mesmo menores de 16 anos tem perfeita compreensão do que é cometer um crime e devem ser julgados segundo esse entendimento. Se um juiz, ou um tribunal do juri, tem condições de avaliar a imputabilidade de um réu de acordo com a sua compreensão do ato criminoso e capacidade de se determinar segundo essa compreensão; se eles podem apoiar-se em um laudo de um psiquiatra para determinar se um sujeito é imputável, semi-imputável ou inimputável; então isso também pode ser usado no caso de menores infratores. Infratores não: CRIMINOSOS. O privilégio dado a esses bandidos é uma afronta a pais que criam e educam seus filhos, fazendo deles cidadãos capazes de viver em sociedade, cumprirem com obrigações e obedecerem as leis.

Delegado de polícia protesta contra soltura de menores apreendidos com armas e drogas

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Russell Norman Champlin: Russell Norman Champlin e o problema da Trindade n...

Russell Norman Champlin: Russell Norman Champlin e o problema da Trindade n...: Batismo. A fórmula trinitariana existe em Mat 28.19 em todos os manuscritos. Tenho um livro que alista 2000 variantes no Novo Testamento e...

Russell Norman Champlin: Antonio dos Passos Pereira: o universalismo de Rus...

Russell Norman Champlin: Antonio dos Passos Pereira: o universalismo de Rus...: O UNIVERSALISMO DE CHAMPLIN Apesar de ser um dos teólogos mais consultados no Brasil e seus comentários de “Antigo e Novo Testamento...

Russell Norman Champlin e o Fundamentalismo Teológico -

Entrevista do Dr. Russell Norman Champlin concedida a Acir da Cruz Camargo 05 de março de 2012 Estimado Irmão Acir, Recebi sua carta datada de 17 de fevereiro que levou nove dias para chegar. Mando esta resposta com uma cópia. Também vou enviar uma cópia para Júlio. 1.Muito obrigado por ter promovido meus interesses com a Editora Hagnos. Prometeram publicar a Odisseia “no segundo semestre” de 2012 que poderia ser julho – ou qualquer mês até dezembro. Mauro e Marilene, sua esposa, têm sido muito energéticos com sua Editora e as vendas da Trilogia (comentários sobre o AT e o NT e a Enciclopédia têm sido espetáculares, felizmente. 2.Tenho uma obsessão no assunto Experiências Perto da Morte (e sob este título a Enciclopédia conta com um artigo). Também são chamadas de Experiências Quase-Morte (EQMs). Nestas histórias temos uma valiosa confirmação científica da existência da alma e sua sobrevivência da morte biológica. Muitos evangélicos as rejeitam porque o amor de Deus brilha mais fortemente do que eles pensam ser possível considerando certas Escrituras que parecem falar o oposto. Eles estão apostando na vitória do fogo. Aqui eu, alegremente, fico com a luz da ciência. Se quiser tentar promover publicação desse material, faça o que pode. Sem dúvida, neste caso, qualquer publicador quereria um número menor, talvez selecionando algumas dentre as que enviei. 3.A doutrina do fogo eterno se originou na teologia helenista dos judeus (o período entre o AT e o NT) e é um reflexo da obsessão dos judeus daquele tempo de ver o fogo de Deus destruir seus inimigos. Os primeiros textos que contém essa diabólica doutrina se encontram no livro pseudepígrafo de I Enoque (em diversos lugares). Daí no livro apócrifo que se chama II Esdras, esta ideia de um Deus destruidor aparece nos capítulos 7 e 8. Infelizmente, esta doutrina irracional e brutal entrou no NT em alguns lugares como no primeiro capitulo de II Tes e no Apocalipse. Esta incorporação fora muito infeliz e enganadora. É uma distorção de qualquer um que pára para pensar um pouco, e demonstra o uso indevido de textos prova (das Escrituras) para comprovar qualquer coisa. Não me sinto responsável por defender essa doutrina a despeito de qualquer número de textos de prova que poderiam ser encontrados. Textos como I Pedro 3.18-4.6 e Efésios 1.9,10 e 4.8-10 olham além dessa doutrina horrível. 4.Sobre a inspiração das Escrituras. Qualquer um que estudou o AT e o NT., versículo por versículo como eu, não acredita que estes documentos não contenham erros e contradições. Estou trabalhando em outro comentário, e tenho passado de novo através do AT e quase todo o NT. Estou, atualmente, na exposição de Hebreus. Em quatro meses, entro de novo no Apocalipse. Este comentário é conciso, mas além das exposições ele apresenta 3.000 ilustrações (histórias, contos). Este Comentário Conciso terá um total de 5.000 páginas sobre o AT e o NT combinado em comparação com as 40.000 páginas dos comentários versículo por versículo. Estas páginas são de computador – fonte 12, não de páginas imprimidas. Será uma publicação inédita neste mundo. E de novo visto opiniões contraditórias sobre algumas doutrinas quando comparando um escritor com outro. De fato, a maior contradição é justamente como o Novo, em pontos críticos, contradiz o AT. Salvação no AT tem uma ideia totalmente diferente. Nesta coleção, a salvação vem através da graça, pela fé. E a lei agora somente mostra claramente a natureza do pecado e, de fato, fica ao lado do pecado para nos condenar – e não tem nada a ver com salvação. Eis uma tremenda contradição e esta contradição se encontra na sua Bíblia. É interessante observar que, numericamente, a maior parte da Igreja ficou com Moisés, especialmente se alinhando com Tiago, capítulo 2, no lugar de Paulo. A Igreja Católica Romana (que tem mais do que um bilhão de membros) se alinha com Tiago (portanto com o AT). A Reforma Protestante era, essencialmente, uma volta para Paulo. A Igreja Católica além de alinhar com Tiago, preserva, em espírito, os sacramentos e ritos do AT. No NT., existem quatro estágios do Evangelho: 1.Dos Evangelho Sinóticos e Atos 2.Os avanços no Evangelho de João 3.Outros avanços nos livros de Paulo 4.Existe uma situação de contradição em Efésios 1.9-10 e 4.8-10 onde através da missão tridimensional de Cristo (na terra, no hades e nos céus) o Evangelho é universalizado e agora aplica a todas as almas humanas, sem exceção. Tudo será unificado ao redor do Logos-Cristo. O fogo do inferno foi apagado; as almas no hades subiram e agora fazem parte da unificação. Todavia, os elementos da unificação são diversos e não se encontram no mesmo nível de glória. Ver ponto 8, a seguir, para explicações desta diversidade unificada. Assim, o ensino do universalismo é evitado. Existirão remidos e restaurados, categorias de glória diferentes. Ver na Enciclopédia o artigo sobre o Ministério da Vontade de Deus. 5.Vamos voltar para o assunto da inspiração das Escrituras. Acredito que todos os livros do cânon foram inspirados pelo Espírito Santo, mas certamente, algumas partes desses livro não foram inspiradas, mas se originaram das mentes dos homens e das suas tentativas de explicar diversas coisas. Mas, note bem: alguns conceitos nestes livros, às vezes, contradizem outros. Isto qualquer pessoa que estuda versículo por versículo vai ser demonstrado amplamente. Considere a contradição óbvia entre Tiago (cap. 2) quando comparado com o evangelho de Paulo. Obviamente, procurando conforto mental, as denominações evangélicas oferecem harmonias que se mostram absurdas. Há do que 20 trechos em Gênesis que refletem tempos depois da vida de Moisés, uma observação que faço só para jogar na mistura um fato curioso. Estou interessado na verdade não em conforto mental. É equisito ser confortável com seus erros. Considere este fato: A inspiração se manifesta em diversos níveis e maneiras: 1.Passagens ditadas: O Espírito controla a mente do profeta totalmente e coloca até as palavras certas na mente dele. Mas esta forma é somente um dos possíveis modos de inspiração. É um erro gigantesco declarar que todas as Escrituras foram inspiradas desta maneira. A investigação comprova que isto é equivocado. O AT, em alguns lugares, apresenta um Deus violento que promove a mais desgraçada violência que, dificilmente pode ser atribuida a Deus. Por causa deste fato, Orígenes inventou a interpretação alegórica justamente para tirar lições daquelas Escrituras violentas sem atribuí-las a Deus. Considere este fato: O grego do evangelho de Marcos é o “grego da rua” não um grego de um estudioso. Este grego contém um grande número de erros gramaticais. As traduções escondem este fato já apresentando uma gramática correta na língua portuguesa. O “nois vai” do autor fica corrigido para “nós vamos”, só para dar um exemplo. Mas o do evangelho de Lucas já é um grego de um erudito médico. O grego das cartas de Paulo é um grego nativo embora incorpore algumas construções desajeitadas. O grego de Hebreus é um grego quase clássico, erudito e poético que Platão podia ter escrito. Mas o do Apocalipse é um grego de alguém que falou aramaico como sua linguagem nativa. O escritor ignora em muitos lugares a concordância gramatical, assim corrompendo o grego. Então imagine este cenário: O Espírito Santo inspirando o evangelho de Marcos vai para a rua emprestar a linguagem falada aí e coloca neste evangelho. Daí inspirando o evangelho de Lucas ele pára para receber sugestões do médico erudito. Inspirando Hebreus ele tem uma conferência com Platão para emprestar o grego dele para escrever este livro. Algum dia eu vou mandar para você um carta minha escrita em português sem ser revisada e você vai dizer que o Champlin estava me enganando com aquele bom português nas suas cartas que não é representante da linguagem dele. Assim você pode dizer que eu tenho perpetuado uma fraude. O meu português é mais ou menos comparável ao grego do Apocalipse. Falando tudo isto, eu não estou atacando o conteúdo destes livros. De fato, eles representam uma literatura extraordinária a despeito da linguagem utilizada. Agora fala para mim como estes livros foram ditados pelo Espírito Santo palavra por palavra, inspiração verbal e plena. 2.Ideias Gerais: O escritor recebe uma ideia inspirada que ele desenvolve de maneira melhor possível. O resultado depende de suas capacidades intelectuais e espirituais. Alguns destes desenvolvimentos demonstram as capacidades literárias dos escritores. Por exemplo, é claro que o apóstolo Paulo era um gênio e sua capacidade literária era excepecional. 3.Através do Estudo: Anos de estudo dedicado produzem inspirações válidas, embora sujeitas a equívocos. Por outro lado, grandes passagens foram produzidas desta maneira. As cartas de Paulo demonstram o que um homem estudioso pode produzir. 4.Tradições: Não são inúteis e têm contribuido com alguns finos entendimentos. Existem tradições na Igreja que seguiram depois, especialmente, para interpretar as Escrituras. Mas tradições são sujeitas a exagero e equívocos. Considere Atos 7 – a defesa de Estevão que vem das tradições judaicas e não somente das Escrituras do próprio AT. De fato, sua defesa em alguns dos escritores e/ou seus raciocínios. 5.Interpretações inspiradas: A mente recebe intuições e raciocínios que ajudam o intérprete a entender melhor os assuntos espirituais. Sem dúvida, alguns trechos da Bíblia se resultaram das instituições dos escritores e/ou seus raciocínios. 6.Inspirações além do texto: Sendo um dom do Espírito Santo, como o dom do conhecimento (I Cor 12.8). O intérprete pode ser inspirado de vez em quando. Até pode, às vezes, receber inspirações separadas dos textos sagrados, como nas visões e nos sonhos espirituais. Sonhos fazem parte da tradição profética. A inspiração é uma função complexa que incorpora diversas modalidades. Nenhuma explicação isolada é adequada, mas algumas pessoas ficam somente com modalidades. As pessoas que promovem somente este meio de inspiração ou revelação são patéticas, porque agindo assim se mostram crianças intelectuais. É parte da minha missão declarar estas verdades. Reconciliação com o fundamentalismo? Quando jovem, eu era um fundamentalista radical e insuportável e assim perdi alguns anos de minha vida em brigas e contendas. Abandonei este tipo de expressão religiosa como pernicioso. Minha filosofia me libertou. 7.Novas revelações? Temos o AT e o NT., magníficas coleções, mas dificilmente adequadas para sempre. Deus é maior do que coleções de livros. Podem existir outros testamentos, um terceiro, um quarto, um quinto, etc. Deus não está anulado por nossas noções piedosas. Considere: bibliolatria, a adoração de um livro. Esta idolatria rouba Deus de sua glória, colocando um ídolo no lugar de Deus. Todas as idolatrias perniciosas. 7. Revelações fora da Bíblia Hebraica e Cristã? Acredito na doutrina dos Logoi-spermatikoi, as sementes do Logos nas diversas religiões não cristãs; nas filosofias, nas ciências (exatas e sociais); na poesia, nas literaturas não especificamente religiosas; na história humana; nas instituições humanas como nos seus governos; nas culturas; na criação física, tão magnífica; até, de vez em quando, na política; nas visões e nos sonhos espirituais. Aleluia! O Espírito está em muitos lugares, plantando as sementes do Logos. Chega de limites falsos! Chega de pensamentos infantis! Chega de exclusivismos! Deixa a Luz brilhar sem interferências. Louvai o Logos-Christós, a fonte do nosso conhecimento espiritual que não se limita às nossas noções exclusivistas. 8. Universalismo? Esta doutrina ensina que todos os homens, afinal, serão salvos. Baseando-me em Efé cap. 1, acredito que os remidos serão salvos e participarão na natureza divina (II Pedro 1.4), através de sua transformação à imagem de Cristo (Rom 8.29). Acredito que o número deles será relativamente pequeno. Mas, todos os não remidos serão restaurados e todas as almas serão remidas ou restauradas. A unidade ao redor do Logos-Cristo (Efé 1.9-10) não excluirá nenhuma alma. Os restaurados não participarão na natureza divina, mas terão uma glorificação secundárias, mas ainda gloriosa porque sera uma obra-prima do Logos. Assim falando, valorizo a forte declaração da primeira parte de Efésios cap. 1 e a declaração generalizada dos vss 9-10. Na primeira parte deste capítulo, encontramos uma afirmação forte sobre a eleição. Eu uso a palavra remidos no lugar de eleitos porque esta palavra nos envolve em controvérsia pesada. Depois a missão de Cristo garante que existirá uma restauração generalizada (vss 9, 10). Portanto, vejo duas glórias, a primária e a secundária. Assim ensina o Mistério da Vontade de Deus que ultrapassa o resto do Novo Testamento: o que o amor de Deus fará em benefício de todas as almas. O hades mandará suas almas cativas e elas subirão para participar da unificação. Eis o Quarto Evangelho que toma o lugar dos Evangelhos inferiores, e é, de fato, uma contradição das velhas ideias que eram parciais, e parcialmente erradas. Este Quarto Evangelho é a universalização do Evangelho no qual o amor de Deus brlh sem obstáculos. Deixe esta luz brilhar. Valorizo e declaro o Amor Incondicional do Logos-Christós. Abandonando as controvérsias, as discussões e as dúvidas, apresentadas acima, consideremos o valor intrínseco dos dois Testamentos (o AT e o NT). Obviamente, são grandiosas coleções e incorporam literatura imortal. Lendo e estudando não somente estes livros mas também aqueles de sistemas não cristãos, posso afirmar que estes dois Testamentos são mais impressionantes do que os outros, embora existam valiosas obras não cristãs. Considero o Novo Testamento a maior coleção de livros já escrita. Nosso problema não são “os problemas” mas nosso dedicado estudo do NT. Tenho dedicado minha vida a este estudo e também a outros caminhos de investigação que considero extremamentes importantes. Sumariando, considero o Novo Testamento o maior documento espiritual de todos os tempos. Esta coleção é rica, eloquente e poderosa. Quem estuda com determinação estes livros será transformados por eles. No amor incondicional do Logos-Cristo, Russell Norman Champlin

sexta-feira, 28 de março de 2014

Download evangelhos-apócrifos.rtf for free - EbookBrowsee.net - Ebook Search & Free Ebook Downloads

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Joaquim Barbosa x Noblat

Coisa linda! Quem aposta no autoritarismo sempre perde. Quem assistiu "A casa dos espíritos" tem uma ideia de como é isso. O capitão do mato Joaquim "Domingos Jorge Velho" Barbosa mostra suas unhas. Há loucos pra tudo. Tem gente querendo ditadura militar no rastro do aniversário do golpe de 64. Tem gente querendo um déspota pra presidente do Brasil. Se ele trata mal seus colegas de corte, seus pares (nem superiores, nem inferiores a ele), como não trataria o cidadão comum? Mas seria ótimo o capitão do mato como presidente. Aí o Carlos Vereza saberia o que é carrasco, o que é ditadura, o que é cerceamento de defesa, cassação da palavra, da liberdade de expressão. E haveria novos levantes armados. E o Brasil continuaria lá no fundo do poço. Há uma parábola bíblica para isso. Está lá no livro de Juízes, no capítulo 9, e foi proferida por um dos filhos de Gideão, um dos juízes de Israel. Diz que "um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!'. A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite, que tanto honra aos deuses como aos homens, a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu, e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto, a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu, e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar o meu vinho novo, que alegra os deuses e os homens, a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu, e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa-fé que me ungis como rei sobre vós, vinde e abrigai-vos à minha sombra. Se não, sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano'". Quem já leu a Bíblia sabe a aplicação prática da parábola e o desenrolar dos fatos históricos que ela pretende representar. A deputada Jandira Feghali, do PC do B, está sob fogo cruzado porque propôs punição à jornalista desprovida de razão e cérebro Rachel Sheherazade, do SBT, pela defesa dos criminosos que amarraram em um poste outro criminoso. Vamos ver se a imprensa defende o arrazoado e inteligente Noblat, também crítico do governo do PT, de Lula e de Dilma, das ganas e ira do capitão do mato. O problema é que parece que estamos todos desprovidos de cérebro e, como primatas irracionais, loucos para procriar, que disputam com seus assemelhados as fêmeas do seu grupo, medindo o tamanho e a potência dos seus membros, deixamos o bom combate de lado, para nos arvorarmos na defesa imbecil de nossas ideologias. É óbvio que Joaquim Barbosa foi escolhido não pelo seu saber jurídico, pelo seu conhecimento técnico, mas - em mais um erro de Lula - pela sua cor (é por isso que eu, um negro que nunca precisou de cotas, filho de outro negro que também nunca precisou de cotas, sou contra elas). Basta ouvi-lo. Basta olhar para ele pra perceber que ele tem uma grande necessidade de autoafirmação. E não é por causa da cor. Não. Dono de um currículo invejável, não sobreviveria a um embate com o outro erro de Lula no STF, o ministro Dias Toffoli, que não tem currículo algum. Botem o capitão do mato na presidência. E aguentem as consequências.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Especial Artigo Reinaldo Azevedo Que Deus é este?

"Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida, a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se assiste à dramática renúncia ao homem" Boa parte das nações e dos homens celebra, nesta semana, o nascimento do Cristo, e uma vez mais nos perguntamos, e o faremos eternidade afora: qual é o lugar de Deus num mundo de iniqüidades? Até quando há de permitir tamanha luta entre o Bem e o Mal? Até Ele fechou os olhos diante das vítimas do nazismo em Auschwitz, dos soviéticos que pereceram no Gulag, da fome dizimando milhões depois da revolução chinesa? E hoje, "Senhor Deus dos Desgraçados" (como O chamou o poeta Castro Alves)? Darfur, a África Subsaariana, o Oriente Médio... Então não vê o triunfo do horror, da morte e da fúria? Por que um Deus inerme, se é mesmo Deus, diante das "espectrais procissões de braços estendidos", como escreveu Carlos Drummond de Andrade? Que Deus é este, olímpico também diante dos indivíduos? Olhemos a tristeza dos becos escuros e sujos do mundo, onde um homem acaba de fechar os olhos pela última vez, levando estampada na retina a imagem de seu sonho – pequenino e, ainda assim, frustrado... Até quando haveremos de honrá-Lo com nossa dor, com nossas chagas, com nosso sofrimento? Até quando pessoas miseráveis, anônimas, rejeitadas até pela morte, murcharão aos poucos na sua insignificância, fazendo o inventário de suas pequenas solidões, colecionando tudo o que não têm – e o que é pior: nem se revoltam? Se Ele realmente nos criou, por que nos fez essa coisa tão lastimável como espécie e como espécimes? Se ao menos tirasse de nosso coração os anseios, os desejos, para que aprendêssemos a ser pedra, a ser árvore, a ser bicho entre bichos... Mas nem isso. Somos uns macacos pelados, plenos de fúrias e delicadezas (e estas nos doem mais do que aquelas), a vagar com a cruz nos ombros e a memória em carne viva. Se a nossa alma é mesmo imortal, por que lamentamos tanto a morte, como observou o latino Lucrécio (séc. I a.C.)? Se há um Deus, por que Ele não nos dá tudo aquilo que um mundo sem Deus nos sonega? Evito, leitor, tratar aqui do mistério da fé, que poderia, sim, responder a algumas perplexidades. O que me interessa neste texto é a mensagem do Cristo como uma ética entre pessoas, povos e até religiões. Não pretendo, com isso, solapar a dimensão mística do Salvador, mas dar relevo a sua dimensão humana. O cristianismo é o inequívoco fundador do humanismo moderno porque é o criador do homem universal, de quem nada se exigia de prévio para reivindicar a condição de filho de Deus e irmão dos demais homens. É o fundamento religioso do que, no mundo laico, é o princípio da democracia contemporânea. Não por acaso, a chamada "civilização ocidental" é entendida, nos seus valores essenciais, como "democrática" e "cristã". Isso tudo é história, não gosto ou crença. Falo das iniqüidades porque é com elas que se costuma contrastar a eventual existência de uma ordem divina. Segundo essa perspectiva, se o Mal subsiste, então não pode haver um Deus, que só seria compatível com o Bem perpétuo. Ocorre que isso tiraria dos nossos ombros o peso das escolhas, a responsabilidade do discernimento, a necessidade de uma ética. Nesse caso, o homem só seria viável se isolado no Paraíso, imerso numa natureza necessariamente benfazeja e generosa. O cristianismo – assim como as demais religiões (e também a ciência) – existe é no mundo das imperfeições, no mundo dos homens. Contestar a existência de Deus segundo esses termos corresponde a acenar para uma felicidade perpétua só possível num tempo mítico. E as religiões são histórias encarnadas, humanas. Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida, a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se assiste à dramática renúncia ao homem. Esperavam talvez que se dissesse aqui que o Mal Absoluto decorre da deposição da Cruz em favor de alguma outra crença ou convicção. A piedade cristã certamente se ausentou de todos esses palcos da barbárie. Mas, com ela, entrou em falência a Razão, humana e salvadora. Fé e Razão são categorias opostas, mas nasceram ao mesmo tempo e de um mesmo esforço: entender o mundo, estabelecendo uma hierarquia de valores que possa ser por todos interiorizada. As cenas das mulheres de Darfur fugindo com suas crianças, empurradas pela barbárie, remetem, é inevitável, à fuga de Maria e do Menino Jesus para o Egito, retratada por Caravaggio (1571-1610) na imagem que ilustra este texto – o carpinteiro José segura a partitura para o anjo. As representações dessa passagem, pouco importam pintor ou escola, nunca são tristes (esta vem até com música), ainda que se conheça o desfecho da história. É o cuidado materno, símbolo praticamente universal do amor de salvação, sobrepondo-se à violência irracional que o persegue. Nazismo, comunismo, tribalismos contemporâneos tornados ideologias... São movimentos, cada um praticando o horror a seu próprio modo, que destruíram e que destroem, sem dúvida, a autoridade divina. Mas nenhum deles triunfou sem a destruição, também, da autoridade humana, subvertendo os valores da Razão (afinal, acreditamos que ela busca o Bem) e, para os cristãos, a santidade da vida. Todas as irrupções revolucionárias destruíram os valores que as animaram, como Saturno engolindo os próprios filhos. O progresso está com os que conservam o mundo, reformando-o. Pedem-me que prove que um mundo com Deus é melhor do que um mundo sem Deus? Se nos pedissem, observou Chesterton (1874-1936), pensador católico inglês, para provar que a civilização é melhor do que a selvageria, olharíamos ao redor um tanto desesperados e conseguiríamos, no máximo, ser estupidamente parciais e reducionistas: "Ah, na civilização, há livros, estantes, computador..." Querem ver? "Prove, articulista, que o estado de direito, que segue os ritos processuais, é mais justo do que os tribunais populares." E haveria uma grande chance de a civilização do estado de direito parecer mais ineficiente, mais fraca, do que a barbárie do tribunal popular. Há casos em que é mais fácil exibir cabeças do que provas. A convicção plena, às vezes, é um tanto desamparada. Este artigo não trata do mistério da fé, mas da força da esperança, que é o cerne da mensagem cristã, como queria o apóstolo Paulo: "É na esperança que somos salvos". O que ganha quem se esforça para roubá-la do homem, fale em nome da Razão, da Natureza ou de algum outro Ente maiúsculo qualquer? E trato da esperança nos dois sentidos possíveis da palavra: o que tenta despertar os homens para a fraternidade universal, com todas as suas implicações morais, e o que acena para a vida eterna. O ladrão de esperanças não leva nada que lhe seja útil e ainda nos torna mais pobres de anseios. O cristianismo já foi acusado de morbidamente triste, avesso à felicidade e ao prazer de viver, e também de ópio das massas, cobrindo a realidade com o véu de uma fantasia conformista, que as impedia de ver a verdade. Ao pregar o perdão, dizem, é filosofia da tibieza; ao reafirmar a autoridade divina, acusam, é autoritário. Pouco afeito à subversão da autoridade humana, apontam seu servilismo; ao acenar com o reino de Deus, sua ambição desmedida. Em meio a tantos opostos, subsiste como uma promessa, mas também como disciplina vivida, que não foge à luta. Precisamos do Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror. Sem essa certeza, Darfur – a guerra do forte contra o indefeso, da criança contra o fuzil, do bruto contra a mulher –, uma tragédia que o mundo ignora, seria ainda mais insuportável.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Álvaro Dias é alvo de novas denúncias sobre enriquecimento ilícito

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que posa em frente ao quadro com próceres da República, ainda não explicou origem de patrimônio milionário O possível envolvimento do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) com empresários ligados à origem do escândalo do ‘mensalão’, a Ação Penal (AP) 470, que o Supremo Tribunal Federal (STF) terminou de julgar em meados deste mês, piora a imagem pública do político tucano. Dedicado a apontar falhas de caráter em integrantes da esquerda brasileira, Dias bebeu do próprio veneno ao ver noticiada, nos últimos dias, a condenação judicial a que será submetido em um processo na Vara de Família de seu Estado. O processo, movido por sua filha menor de idade, levou-o a admitir a propriedade de cinco mansões em seu nome, no valor de R$ 16 milhões. À Justiça Eleitoral, o parlamentar declarou patrimônio de apenas R$ 1,9 milhão. Em notícia divulgada nesta sexta-feira, na internet, Dias teria obtido parte dos recursos necessários à construção de seu patrimônio junto às empresas dos irmãos Basile e Alexandre George Pantazi, que estiveram envolvidas nos primórdios do escândalo nos Correios. A denúncia, reproduzida no blog Amigos do Presidente Lula, apresenta a ligação entre o senador paranaense no processo, que não está protegido por nenhum segredo de Justiça, que cita como ré a empresa AGP Administracão, Participação e Investimentos, cujo sócio-gerente seria Pantazis, dono também da Dismaf Distribuidora de Manufaturados. Esta última é a empresa envolvida nas investigações dos Correios e citada em reportagem da revista semanal de ultradireita Veja, de 13 de abril de 2011. Segundo a reportagem, a empresa teria pagado propinas ao PTB sobre contratos nos Correios. Segundo o blog, “o aparecimento desta súbita fortuna causou perplexidade à nação brasileira, que pergunta: como o senador, da noite para o dia, aparece como um dos parlamentares mais ricos do Brasil?. Detalhe: o processo não está em segredo de justiça, ao contrário do que disse o senador em seu twitter, e não é uma mera disputa familiar. É uma disputa patrimonial graúda envolvendo mais 10 réus ao lado de Alvaro Dias, e quatro deles são pessoas jurídicas. Uma das empresas ré na causa é a AGP Administração, Participação e Investimentos Ltda., de Alexandre George Pantazis, indicando que Alvaro Dias teve algum tipo de negócio com esta empresa envolvendo os R$ 16 milhões em questão”. “A Dismaf foi objeto de uma reportagem da revista Veja (pág. 64, edição 2212 de 13/04/2011), acusando a empresa de pagar propinas ao PTB sobre contratos nos Correios, no caso que deu origem ao ‘mensalão’ a partir da gravação feita por um araponga de Carlinhos Cachoeira, que levou Roberto Jefferson a dar a entrevista em 2005. A reportagem foi baseado na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal. Declarada inidônea pelos Correios, a empresa não podia participar de licitações, mas ganhou uma na Valec (que constrói a ferrovia norte-sul) para fornecer trilhos. O fato foi alvo de auditoria na CGU e foi um dos motivos para demissão do ex-presidente da Valec, o Juquinha”. Somente uma investigação sobre os contratos e quebra de sigilo bancário “poderá esclarecer o real envolvimento do senador tucano com o dono da Dismaf”, acrescenta o texto. O Correio do Brasil tentou entrar em contato com o senador, tanto por telefone quanto na área de contato do sítio que ele mantém na internet, mas sem nenhum retorno até o fechamento desta matéria. Em sua página do microblog Twitter, Dias apenas postou, no final da manhã desta sexta-feira, uma mensagem cifrada: “Não vou subestimar a inteligência das pessoas que confiam em mim respondendo a inimigos levianos, desonestos A ma fé tem como resposta a ação”.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Justiça do Piauí precisa se profissionalizar, diz juiz

Para o juiz José Airton Medeiros, presidente da Associação dos Magistrados do Piauí (Amapi), a Justiça do estado precisa se profissionalizar. A crítica de Airton se refere a a uma série de problemas relacionados à falta de estrutura que a Justiça piauiense vem enfrentando. A notícia é do portal G1. Segundo levantamento da Amapi, em seis meses, três arrombamentos em fóruns da cidade foram registrados. Em um deles, bandidos entraram pela janela do Fórum Odorico Rosa e levaram armas que eram guardadas no local, que não tem nem vigilantes, nem câmeras de segurança. Segundo Medeiros, o Tribunal de Justiça do Piauí decidiu, há quase um ano, contratar segurança armada para os 20 fóruns do estado, mas o projeto ainda se encontra em licitação. "Mais uma vez a burocracia para a contratação da empresa encontra-se em curso ou, o que é pior, não anda em razão da incompetência de setores do Tribunal de Justiça”, afirmou ele à reportagem do G1. Airton também afirma que frequentemente falta tinta nas impressoras dos órgãos do Judiciário local, que há um número excessivo de gratificações para os funcionários, e que existe um número inexplicável de cargos comissionados e funções de confiança, que impede os servidores de serem bem remunerados.

'Fux falou que não tinha prova', diz Carvalho sobre mensalão na TV

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou que, antes de ser indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Luiz Fux teria dito que o processo do mensalão "não tinha prova nenhuma" e que "tomaria uma posição muito clara" no julgamento. As declarações foram feitas durante entrevista na noite de ontem (23) ao programa "É Notícia", da RedeTV!. Carvalho disse que à época Fux o procurou e comentou o processo do mensalão sem ser questionado. Segundo o ministro, Fux afirmou que a ação penal que seria julgada pelo STF era "sem fundamento". O julgamento do mensalão resultou na condenação de 25 réus, incluindo o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT, José Genoino, e o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares.
Em entrevista à Folha no início de dezembro, Fux afirmou que pensava que não existiam provas e que ficou estarrecido após leitura do processo. O ministro também admitiu durante a entrevista que houve "baixa exigência" na seleção de nomes para cargos de direção nas agências reguladoras, quando foi questionado sobre a Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal. Para Carvalho, "falhou o filtro" na escolha dos indicados. A PF desmontou no final de novembro um esquema de venda de pareceres técnicos fraudulentos para favorecer interesses privados. A investigação atingiu diferentes órgãos do governo federal, como a AGU (Advocacia-Geral da União), a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e a ANA (Agência Nacional de Águas). O ministro disse ainda que "é muito doloroso" ver "companheiros se enriquecendo ao longo desses anos" ao comentar os escândalos do governo. Carvalho também adiantou que a presidente Dilma Rousseff pode fazer uma reforma política no ano que vem e que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ajudar nesse processo. DISPUTAS ELEITORAIS Questionado sobre as futuras disputas eleitorais, Carvalho disse que não é um "cenário absurdo" que o PT apoie o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para a disputa presidencial de 2018. Para Carvalho, o PT demonstraria maturidade ao abrir possibilidade para outra sigla ser a cabeça de chapa. O ministro ainda comentou o fraco crescimento econômico de 2012. Segundo Carvalho, o governo ficou "perplexo" com o PIB (Produto Interno Bruto). A previsão do Banco Central é que o PIB seja de 1% neste ano. Carvalho justificou o discreto desempenho da economia dizendo que "os primeiros anos de um novo governo têm crescimento menor, por ser ano de montagem do governo". Também criticou o ministro Guido Mantega (Fazenda). Questionado se a credibilidade de Mantega ficaria prejudicada ao fazer previsões econômicas acima do que de fato se confirmou, Carvalho respondeu que "é evidente, não vou negar". Ao comentar as perspectivas para o país em 2013, Carvalho prevê um crescimento maior que o obtido em 2012.

Dilma nega crise entre Poderes e diz que Brasil deve muito ao PT Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/dilma-nega-crise-entre-poderes-diz-que-brasil-deve-muito-ao-pt-7142340#ixzz2GGMKE4rc © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Sobre mensalão, presidente afirma que ministros do Supremo têm total autonomia em suas decisões
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff evitou falar sobre o julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante café da manhã com jornalistas nesta quinta-feira, a presidente negou que possa haver uma crise entre os Poderes, e que não cabe a ela interferir nessa relação. - Vocês não vão me ver falar sobre isso (mensalão). Como presidente, eu não estaria contribuindo para a governabilidade – afirmou. Segundo ela, a autonomia dos três Poderes é uma “pedra basilar da democracia”. Como presidente, ela afirma que não pode interferir na relação dos poderes. - Depois que os ministros (do STF) são indicados, eles têm a distância integral da minha pessoa - afirmou, destacando que eles têm total autonomia para realizar seu trabalho. Dilma defendeu o PT. Ela disse que o partido tem importância na história do país, que deve ao PT pelo que foi feito. - O PT é um dos grandes produtos da democratização do Brasil. Como qualquer obra humana, não é perfeito, mas deu e dá grandes contribuições ao país – disse. - Não só respeito, como integro o PT. O Brasil deve muito a tudo que o PT fez. Por fim, a presidente não comentou sua sucessão: - Pretendo governar de hoje até 31 de dezembro de 2014, com absoluto empenho. Não vou antecipar o fim do meu mandato - disse. A presidente também falou sobre os problemas de interrupção de energia que aconteceram recentemente em todo o país e afirmou que eles são fruto de erros humanos e não devem ser atribuídos a problemas como raios que teriam atingido as subestações ou linhas de transmissão. Dilma foi enfática - e inclusive usou um mapa do Brasil para ilustrar as quedas de raios neste ano - para afastar a hipótese de que fenômenos naturais poderiam causar esses problemas. Ela ainda negou que há chances de ocorrerem apagões no Brasil. Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/dilma-nega-crise-entre-poderes-diz-que-brasil-deve-muito-ao-pt-7142340#ixzz2GGMq2GZk © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Em nota, Álvaro Dias não explica denúncias sobre seu patrimônio, mas homenageia o pai

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) deixou o silêncio em que se manteve até esta terça-feira para tentar explicar, em nota publicada em sua página na internet, parte de sua fortuna, avaliada em R$ 16 milhões. Desde a última sexta-feira, Dias teve seu patrimônio contestado após receber uma punição, na Justiça, no processo que move contra ele a funcionária pública Monica Magdalena Alves, mãe de uma filha do parlamentar fora do casamento. A ação visa anular a venda de cinco casas em Brasília que, segundo a causa, também pertenceria à herdeira, menor de idade. Dias não teria pagado a pensão alimentícia da menina e poderá se tornar alvo de uma investigação da Polícia Federal. O senador Álvaro Dias assumiu, após a renúncia do senador Demóstenes Torres por denúncias de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o papel de principal defensor dos ideais da extrema direita, no país. Moralista e dono de um discurso contundente nas denúncias aos desafetos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dias vê-se agora diante do mesmo pelotão de fuzilamento, na mídia, ao qual convocou na tentativa de alvejar a reputação da ex-secretária da Presidência da República, em São Paulo, Rosemary Noronha. É dele o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o que ele apelidou de ‘Rosegate‘, repercutido prontamente pela mídia conservadora no país. – É um escândalo de baixo nível, que expõe a postura descabida de quem preside o país, antes e agora – disse ele, referindo-se ao antecessor da presidenta Dilma. Em 2006, o patrimônio que Dias declarou à República, tão logo diplomado como senador, foi de R$ 1,9 milhão. Naquele mesmo ano, o senador não teria declarado aplicações no valor de R$ 6 milhões e, ao longo do período, ergueu cinco mansões na Capital Federal, avaliadas em R$ 16 milhões. Na nota, Dias tenta explicar os fatos acusando “abutres morais” que promovem “o achincalhe” em uma página de microblogs. Eis a nota do senador: Patrimônio da Honestidade: a homenagem a meu pai! 25 de dezembro de 2012 – 12:00 O espírito do Natal contrastando com o achincalhe de alguns poucos abutres morais, especialmente no Twitter, leva-me a homenagear meu pai. Sem ter frequentado a escola, transformou-se em notável professor da honradez e do trabalho. Construiu significativo patrimônio material, mas o mais importante que legou a seus 10 filhos foi o da decência e honestidade. Imagino se estivesse vivo qual seria sua reação nesta hora. Sua trajetória na construção desse patrimônio foi uma epopeia. Começou em 1938, portanto, muito antes do meu nascimento, quando ainda jovem chegou onde hoje se localiza Maringá. Saindo de Quatá-SP, na antiga jardineira, a viagem sobre quatro rodas se encerrava em Londrina, cerca de 100 quilômetros do destino. A partir daí no lombo de cavalos percorreu trilhas abertas na mata para chegar. Em Mandaguari a parada no único e pequeno hotel existente, depois a cavalgada até o fim da picada em Maringá. Acompanhado por corretores desceu até onde se localiza hoje a UEM e foi adiante até o local escolhido. Decidiu por esse lugar porque encontrou água (pequeno rio) e soube que a linha férrea mais tarde passaria por lá. A região era inóspita, perigosa e afastava os desbravadores. Não foi difícil com algumas dezenas de réis adquirir extensa área de terras, o inicio da construção de um razoável patrimônio. Várias vezes foi aconselhado a vender, a selva era perigosa. Resistiu, persistiu! Aos poucos foi derrubando a mata e plantando café. As viagens se repetiam, nas mesmas e difíceis circunstâncias, a partir de Quatá onde a família ficava. Em 1954 a mudança. Casa construída para receber mulher (minha mãe Helena) e filhos. Verdadeiro mar verde, os cafezais produziam safras incríveis. Foi o ponto de partida para a formação de novas fazendas de café, como a de Itambé que muito me impressionava ainda garoto, pela grandeza e beleza das suas lavouras. Logo a seguir Jesuítas, no Oeste do Paraná, etc.etc.. Silvino, meu pai, mandava os filhos estudar e ficava na sua batalha diária que começava sempre antes do nascer do sol. Vida dura de trabalho e só. Não conheceu o mar, não colocou o pé nas areias da praia e só viu Curitiba, nossa capital, quando da minha posse como governador. A fazenda Diamante que formou em Maringá, transformou-se na Cidade Nova. Morreu aos 95 anos e pouco antes disso me disse: “a cidade chegou muito perto de mim, se fosse mais jovem iria embora para algum Estado emergente fazer o que fiz quando aqui cheguei em 1938 cheio de esperança”. Em nome dos seus oito filhos vivos, dois já se foram, as minhas homenagens neste Natal. Obrigado meu pai! Seus filhos aprenderam a lição, formaram-se em universidades, aumentaram o patrimônio material pelo senhor legado, (mais os que não estão na vida publica), mas sem esquecer de preservar a sua riqueza maior: a honestidade! Por isso meu pai, em sua homenagem, aos que achincalham a honra deste seu filho, por ignorância ou má fé, lembro Mario Quintana, poeta gaúcho, ‘Eles passarão, eu passarinho”

Polêmica com Luiz Fux alerta Senado sobre impeachment de ministro do STF

Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux encontra-se na alça de mira de parlamentares tanto da oposição quanto da base aliada. Fux encontra-se sob fogo pesado, após afirmar a jornalistas que pediu a autoridades dos governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff para ser indicado à Corte Suprema. Segundo o ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em recente entrevista, “sem que ninguém o perguntasse”, Fux garantiu que “mataria no peito” o julgamento dos líderes de esquerda envolvidos na Ação Penal (AP) 470, encerrado na semana passada com todos os votos do ministro contrários aos réus. Segundo Gilberto Carvalho, no programa É Notícia do canal aberto Rede TV, apresentado pelo jornalista Kennedy Alencar, Fux o procurou e disse que o processo do ‘mensalão’ “não tinha prova nenhuma” e que “tomaria uma posição muito clara”. Antes, em entrevista ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, Fux confessou que pediu apoio aos ministros Palocci, Delfim Netto, ao líder sem-terra João Pedro Stedile, ao deputado Paulo Maluf (PP-SP) e ao governador Sergio Cabral (PMDB), do Rio. Este último se beneficiou com a decisão de Fux de impedir que o Congresso, por meio de uma manobra técnica, votasse os vetos aosroyalties do petróleo. Sobre o assunto, o jornalista Mauricio Dias, na revista semanal de esquerda Carta Capitalquestiona a decisão do ministro Fux, que beneficiou Sergio Cabral: “Caso a Câmara aprovasse uma lei pela qual o Supremo Tribunal Federal fosse obrigado a julgar os processos na ordem cronológica de ingresso, o que aconteceria? Muito provavelmente o STF diria tratar-se de indevida intromissão na sua regulação interna. Como pode o Ministro Fux intervir no regimento do Congresso ao declarar inconstitucional a aprovação do pedido de urgência para os royalties? No gabinete dele os processos são despachados por ordem de chegada? Ou será que urgência só existe para o Judiciário, não para o Legislativo e o Executivo?”. Autoritário Na mesma linha de Maurício Dias, o sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, classifica o ministro de “autoritário”. Em artigo também publicado na edição de Carta Capital que circula nas bancas de jornal e revistas, “o pensamento autoritário já viveu dias melhores no Brasil. Sua credibilidade já foi maior, e suas ideias, mais consistentes. Seus formuladores, mais respeitados e maior sua influência na vida nacional. Se compararmos Oliveira Vianna, Azevedo Amaral, Alberto Torres e Francisco Campos, seus principais expoentes na República Velha e durante o Estado Novo, aos autoritários de hoje, a distância é abissal”. “Seus sucessores contemporâneos são de dar pena. Salvo as exceções de praxe, faltam-lhes educação e estilo. Substituíram a disposição para o debate pela ofensa e a repetição de lugares-comuns. São ignorantes. O que os une aos antigos são as convicções que compartilham. A começar pelo que mais distingue o autoritarismo ideológico: a certeza de que a democracia pode ser boa no plano ideal, mas é irrealizável na prática. No mundo real, o povo seria incapaz de se governar e precisaria das elites para orientá-lo. Sem sua proteção paternal, se perderia”, acrescenta Coimbra. Para o sociólogo, “diferentemente do passado, muitos dos autoritários da atualidade se abrigam na mídia conservadora. Sem a proteção que recebem de seus veículos para falar alto e se exibir como valentes, não existiriam. Mas há autoritários hoje no mesmo lugar em que, no passado, militaram vários: no Judiciário e cargos afins. Alberto Torres foi ministro do Supremo Tribunal Federal, Oliveira Vianna, do Tribunal de Contas da União, e Francisco Campos foi consultor-geral da República”. “O julgamento do ‘mensalão’ tem sido um momento privilegiado para conhecer o pensamento autoritário atual em maior detalhe. Seus representantes na mídia estão esfuziantes. O andamento do processo no Supremo Tribunal Federal foi melhor que a encomenda. No fundo, todos sabiam quão frágil era a denúncia montada pela Procuradoria-Geral da República. A alegria de ver expoentes do ‘lulopetismo‘ condenados os enche de entusiasmo. Querem revidar em compensação a tudo que os entristeceu nos últimos anos. Quantas vezes foram forçados a se desdizer? Quantas projeções furadas fizeram? Quantos amigos na oposição tiveram de consolar?”, questiona. Coimbra lembra que “não tínhamos tido, até recentemente, a oportunidade de ver, com clareza, o autoritarismo existente no STF. Era um tribunal predominantemente discreto, que trabalhava longe dos holofotes. Vez por outra aparecia, mas para se pronunciar a respeito de questões específicas, ainda que nem sempre de maneira apropriada. Agora, não. Fez parte do pacto da mídia conservadora com a Corte a mudança radical desse padrão. As luzes foram acesas, os microfones ligados e os repórteres postos a serviço. Tudo o que os ministros dissessem seria ouvido, registrado e divulgado, com pompa e fanfarras”. “E eles se puseram a falar. Ao longo do julgamento, à medida que liam seus votos, vimos quão parecidas são as ideias de quase todos com aquelas dos autoritários de 100 anos atrás. No mês passado, Luiz Fux aproveitou a visibilidade de orador na posse de Joaquim Barbosa na presidência do tribunal para apresentar algumas das suas. Tomemo-las como ilustração do que pensam por lá. O discurso de Fux foi extraordinário. Até no que revelou da cumplicidade que se estabeleceu entre a mídia e o tribunal. É pouco provável que fosse tão assumidamente autoritário se não se sentisse amparado pelos correligionários na mídia. Ficou famosa sua tortuosa formulação de que seria natural que o Judiciário se tornasse mais ativo, para intervir na “solução de questões socialmente controversas, como reflexo de uma nova configuração da democracia, que já não se baseia apenas no primado da maioria e do jogo político desenfreado”, acrescentou. Para o sociólogo, “parece que Fux imagina ter feito uma descoberta. Que haveria uma ‘nova configuração da democracia’, sabe-se lá o que isso seja, que exigiria deixar de lado o ‘primado da maioria’ e o tal ‘jogo político desenfreado’. Nada há, entretanto, de original no diagnóstico e no receituário. Antes dele, outros autoritários haviam chegado ao mesmo lugar. Todos, de antes ou recentes, têm a mesma aversão à vontade das maiorias. No fundo, acreditam que o povo não está ‘preparado para a democracia’. Que exige ‘homens de bem’ para guiá-lo, livrando-o dos ‘demagogos’. Todo autoritário é antidemocrático, quer frear o ‘jogo desenfreado’. E se imagina ungido da missão de fazê-lo, pela sua autoatribuída superioridade em relação ao cidadão comum. Talvez por desconhecer de onde vêm as ideias que professa, Fux – e os que se parecem com ele – acredita estar sendo ‘novo’. É tão velho quanto a Sé de Braga”. Impeachment Diante do fogo cruzado, no qual integrantes da oposição ao governo federal também questionam os últimos pronunciamentos do ministro, o jornalista Paulo Henrique Amorim, apresentador de um jornal da rede de TV aberta Record, e editor do blog Conversa Afiadaadiantou, nesta terça-feira, que na volta do recesso parlamentar, o Senado deverá votar oimpeachment do ministro do STF Luiz Fux. Amorim, em texto publicado na véspera, questiona: “Os votos do Ministro Fux estão irremediavelmente sob suspeita. O depoimento de Gilberto Carvalho o incrimina de forma inequívoca. Como é que um ‘candidato’ (…) a Ministro do Supremo visita um Ministro de um Governo petista e promete a este Ministro petista que ‘tomaria uma posição muito clara’ num processo que ‘não tinha prova nenhuma’ e incriminava líderes? Onde é que nós estamos? Com quem mais ele fez campanha? Com o Daniel Dantas? Com o Padim Pade Cerra?”. “Não cabe nem julgar se essa promessa de “matar o mensalão (o do PT) no peito” foi decisiva para ser indicado. O que importa é que a “campanha” é inequivocamente espúria. Desonra o Supremo. Não importa saber se ele “não entregou” o que prometeu. E quando o PiG (Partido da imprensa Golpista) começou a votar, ele amarelou. Amarelou e ingressou de armas, bagagens e caderno telefônico nos Chinco Campos (redator da “Polaca”, a Constituição ditatorial de 1937). O que importa é o processo, é o meio. É a tecnologia de chegar ao mais alto posto da Magistratura”, afirma. Paulo Henrique Amorim lembra que “o Senado perdeu a histórica oportunidade – na verdade, o seu Presidente, José Sarney – de abrir um processo de impeachment de Gilmar Dantas (o jornalista Ricardo Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas), tal qual proposto com argumentos irrefutáveis pelo Dr Piovesan. Onde estão os petistas do Senado? O Suplicy, o Pinheiro, o Vianna? Ou ali só se salvam o Collor e o Requião, que denuncia o Golpismo com todas as letras? Se o Senado – o único instrumento constitucional de censura a um ministro do Supremo – se calar diante das promessas de campanha do Ministro Fux estará aberto o caminho para campanhas similares preencherem as vagas do trânsfuga Ayres Britto e do decano Celso de Mello, aquele que o PiG quer transformar em mentor intelectual do presidente Joaquim Barbosa”. “O Requião diz que o Congresso transformou-se numa ameba, porque tem o rabo preso. O Collor denunciou um Procurador Geral que chama de chantagista e prevaricador, como quem pregasse no deserto. Tem o PT vermelho, do Marco Maia, que disse não ao Barbosa e, certamente, contribuiu para que a Democracia caísse na cilada do Gurgel. Mas, tem também o PT amarelo, o ‘Odarelo‘. Esse PT Odarelo é o que, aparentemente, predomina no Senado. E, nesse intervalo natalino, o próximo Ministro do Supremo deve estar a prometer ao Felipão, ao Faustão e ao Gilberto Carvalho que vai ‘matar os tucanos’ com um tiro no peito”, concluiu Paulo Henrique Amorim.